Introdução
A Bíblia é muito clara e simples, os homens com suas definições, às vezes a dificulta. Há idéias humanas autorizadas pela Bíblia, há pensamentos puramente humanistas defendidos através do texto sagrado. E também o ensino que emana dela.
Há quem diga que as definições protegem o texto contra adulterações, mas creio que só irão proteger, aquelas, que verificam primeiro o sentido literal. Porque quando entramos pelo caminho da interpretação alegórica, podemos dar o sentido que quisermos ao texto. Por exemplo: a besta do Apocalipse pode alegoricamente ser atribuída a muitos personagens da história, como Hitler, o domínio papal da idade média e outros. Mas se buscarmos o sentido literal da passagem, vamos interpretar sem especulação o terrível personagem.
Bom, não estamos aqui para falar da besta e nem de técnicas de interpretações da Bíblia. Este exemplo foi só para informar que não podemos criar doutrinas sem examinar minuciosamente o texto e sem pensar no contexto geral das Escrituras. Se o pensamento que eu levantar, entrar em contradição com algum texto da PALAVRA, o tal é falso. A falta de seguir estas regras, que leva ensinadores a aplicar idéias não 100% Bíblicas, em nome de “Palavra de Deus”.
Todos nós temos opinião própria com relação a muitos temas, mas se a nossa opinião for contrária, não podemos usar a Bíblia para defendê-la. Opiniões defendidas pela Bíblia creio eu, é o principal responsável pelas divergências teológicas e entendimentos diferenciados. Tais idéias ganham às vezes o nome de doutrinas da Bíblia, quando na verdade não as são. Não é nada ético se aproveitar de algum texto isolado das escrituras para difundir idéias. Isto parece ser uma astúcia de Satanás para confundir a mente das pessoas.
Há, porém, idéias que não emanam da Bíblia, mas são autorizadas por ela. Exemplo: a teoria do consciente e do subconsciente é autorizada pelo profeta Jeremias quando diz: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso, quem o conhecerá?”(Jr 17,9).
Uma doutrina bíblica é um estudo temático e sistemático das escrituras, cujo tema é sugerido pela mesma, sem negligenciar o seu contexto geral. Formular uma doutrina é um processo cientifico e neste processo o interprete deve contar com a revelação do Espírito Santo.
Dentre muitas doutrinas já formuladas durante os séculos, a doutrina do Espírito Santo está entre as destacadas e também polemizadas. Sobre sua personalidade, alguns crêem que Ele é uma mera energia ou força, enquanto outros acreditam que é uma pessoa. Sobre o que o Espírito Santo faz, principalmente as manifestações registradas em I Co 12, os dispensacionalistas crêem que só aconteciam na era apostólica (século I d.C.). Já outros crêem na sua contemporaneidade. Há teorias e opiniões diversificadas neste tema, mas analisando a Palavra e as experiências cotidianas podemos acreditar que aquelas manifestações acontecem ainda hoje.
É interessante saber sobre a doutrina do Espírito Santo. Conhecer quem Ele é, Como Ele faz e os resultados apresentados na vida daqueles que são habitados por Ele. Mas o mais importante é ser “cheio do Espírito Santo”.
I
A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo não é simplesmente uma energia ou uma força conforme preconizado pelos unicistas; é uma pessoa dotada de sentimentos, vontade e intelecto. A personalidade do Espírito Santo é apresentada pelas Escrituras sobre vários aspectos.
1- A pessoa do Espírito Santo Expressa na trindade. Na Bíblia não aparece a palavra trindade. O primeiro a “cunhar o termo “Trindade” para expressar a unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo foi “Tertuliano (de 155 – 222 d.C.) na sua Obra: “Adiversus Práxeas”.
Apesar do Termo não aparecer nas escrituras, às três pessoas estão reveladas desde o livro de Gênesis. Em Gn 1,1 o termo “Deus”, no original é ELOHIM, a forma plural de expressar Deus, ou seja, nesta forma esta revelado o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E ainda em Gênesis 1,26, por ocasião da criação do homem o verbo fazer esta no plural, “façamos”. No capítulo de Gênesis 11 e verso 7, na confusão das línguas, o verbo descer e confundir, também aparece no plural. Aí este revelado a Triunidade de Deus.
Poderia citar muitos versículos do Antigo Testamento, provando que a doutrina esta revelada em toda a Bíblia, mas agora passarei a trabalhar com revelações contidas no Novo Testamento. Em Mateus 3;16,.17 vemos Jesus sendo batizado por João - o “Filho”; o Espírito de Deus descendo em forma de pomba - o “Espírito Santo”; e por fim, a voz dos céus que dizia: “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo” - o “Pai”. Jesus prometeu aos seus discípulos que não os deixariam órfãos (Jo 14,18), mas que enviaria outro Consolador (Jo 14; 16,17). Nesta promessa mais uma vez esta revelada a trindade. Quando Jesus diz: “Eu rogarei”, estava falando Dele mesmo, o Filho; quando diz: “ao Pai”, esta falando de Deus, “o Pai”. E quando fala do “Consolador”, esta Falando do Espírito Santo. Mas o Texto que nos fala sobre a trindade com mais clareza é I Jo 5,7. “Porque três são os que testificam no Céu: o Pai, a Palavra”, que é Cristo, o Filho de Deus, e o “Espírito Santo; e estes Três são um”.
Trindade ou Tri unidade é difícil de explicar. Há muitos mistérios que o raciocínio humano não pode alcançar. Três em um e um em três como entender? Temos dificuldades até para entender o mistério se o homem é tricotomia ou dicotomia, ou seja, espírito e corpo, ou, espírito, alma e corpo, quanto mais a pessoa de Deus? Mas cremos em um Deus trino. Um único Deus que se manifesta em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.
O sol ilustra muito bem este entendimento. Ninguém conhece o sol pela sua matéria, nós o conhecemos pela luz e pelo calor. Em João 1,18 diz que ninguém viu Deus, Jesus o fez conhecer. Assim como o sol é conhecido pela luz e calor, Deus é conhecido pelo Filho, a Luz (Jo 8,12) e pelo Espírito Santo, o Calor. Jesus disse: “quem vê a mim vê o pai (Jo 14,9). Assim também quem vê a luz vê o sol. Agora, a intensidade de Deus, é percebida em nossas vidas pelo calor do Espírito Santo.
2- A Pessoa do Espírito Santo Expressa em sentimentos humanos. Uma energia ou uma força não possui sentimentos. Sentimentos é próprio de pessoas. Veja alguns sentimentos do Espírito Santo registrados na Bíblia:
a) O Espírito sente tristezas (Ef 430).
b) O Espírito pensa (Rm 8’,27).
c) O Espírito tem vontade (Ico12, 11)
3- A Pessoa do Espírito Santo expressa em atividades pessoais. Trabalhos e atividades não são para energias e sim para pessoas:
a) O Espírito Revela ( II Pe 1,21).
b) O Espírito Ensina (Jo 14,26).
c) O Espírito testemunha ( Gl 4,6; Rm 8,15,16).
d) O Espírito intercede (Rm 8,26).
e) O Espírito fala (Ap 2,7).
f) O Espírito comanda (At 16,6,7)
4- A Pessoa do Espírito Santo expressa em trato pessoal. Ninguém pode se dirigir a uma energia com alguns tratamentos, seja mentindo, seja blasfemando ou elogiando.
a) Alguém pode mentir para Ele (At 5,3).
b) Pode-se blasfemar contra Ele (Mt 12,31,32).
II
A NATUREZA DO EPÍRITO SANTO
Quem é o Espírito Santo? Através do estudo sobre os seus símbolos e seus nomes teremos esta resposta.
1- Seus nomes. A Escritura nos apresenta o Espírito Santo por diferentes nomes. Em cada nome nos é revelado uma idéia de quem Ele é, ou do que Ele faz.
a) Espírito de Deus (Gn 1;2). Este nome, certamente, por possuir os mesmos atributos de Deus, o Pai: Onipotente, Onisciente, Onipresente e Eterno (Hb 9,14; Sl139, 7-10; LC1, 35; I Co2, 9,10). E também por ser dádiva de Deus aos seres humanos (Jo14, 16).
b) Espírito de Cristo (Rm 8,9). O Espírito foi enviado a nós em nome de Cristo (Jo 14,26). E Ter a graça de ser habitado por Ele é somente para quem crê em Cristo (Jo 7,37-39).
c) O Consolador (João capítulos 14-17). Nestes três capítulos Jesus deu as ultimas instruções aos seus discípulos. Estava aproximando o momento de sua paixão e morte, por isso teve a necessidade de apresentar estas instruções prometendo que eles não ficariam órfãos, mas que enviaria outro Consolador. O substantivo “Consolador” no original é “Paracleto”, que significa: “Alguém chamado para ficar ao lado de outrem, com o propósito de ajudá-lo em qualquer eventualidade” (Jo 14,16; Mt 28,20).
d) Espírito da promessa (Lc 24,49). No Antigo Testamento o Espírito Santo estava restrito a algumas pessoas, como: reis, sacerdotes, profetas e outros em casos especiais. Mas é justamente no Antigo Testamento que encontramos o texto clássico dos pentecostais, o qual é uma grande promessa (Jl 2,28-30). Agora, no Novo Testamento, todos temos o direito de sermos cheios do Espírito Santo (At 2,39).
e) Espírito Santo. Este é o nome que mais usamos para a terceira pessoa da Trindade. É o Espírito do Santo (Jo 14,26). E enfim, veio para santificar o crente (Jo 19, 8,9).
f) Espírito da Graça (Hb 10,29; Zc 12,10). Ele tem a função de levar as pessoas a se aproximarem de Deus. E ainda, tratá-lo com desdém, é não Ter oportunidades para se arrepender.
g) Espírito da Verdade (Jo 16,13). Entenda os ensinos de Cristo através de seu interprete, o Espírito Santo.
h) Espírito da Vida (Rm 8,2; Ap 11,11). Ele é o doador da vida.
i) Espírito de Adoção (Rm 8,15). Cristo “veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo1, 11,12). Quando a pessoa passa a crer em Cristo, recebendo-o como seu salvador pessoal, acontece simultaneamente o nascimento espiritual através da ação do Espírito Santo. “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade do varão, mas de Deus”. Assim, o crente nascido de novo, participa da natureza de Cristo e é co-herdeiro da herança celestial (Rm 8,16,17).
2- Seus Símbolos. Através de seus nomes tivemos o privilégio de saber um pouco a seu respeito, nos símbolos, o entenderemos em outro ângulo.
a) Fogo (Is 4,4; Mt 3,11). O fogo purifica, ilumina e aquece. A razão da frieza espiritual de muitos, é o fato de não serem cheios do Espírito Santo.
b) Vento (Ez 37,7-10; Jo3, 8; At 2,2). O vento é independente, penetrante, purificante e vivificante. Sempre que a Bíblia fala sobre a regeneração efetuada pelo Espírito Santo, este é o símbolo que a representa.
c) Água (Jo 7,38-39; 4,10). A Água limpa, refrigera, sacia e torna frutífero o estéril. O crente cheio do Espírito Santo não é esquentado, é pacífico. É tão produtivo como uma “árvore plantada junto ao ribeiro” (Sl 1,3).
d) Selo (Ef 1,13; 4,30; II Tm 2,19). Selo significa carimbo; sinal; cunho; distintivo. O Espírito Santo em nossas vidas é a garantia de que pertencemos a Deus.
e) Azeite (Ec 9,8; Lc 4,18; 10, 33,34; I Re 17,10-14; Mt 25,3-13). O azeite serve para alimento, iluminação, lubrificação, cura, alivio da pele e etc. É somente ungido pelo Espírito Santo é que vamos pregar um Evangelho seguido de cura, alivio e libertação. Leia novamente Lc 4,18,19.
f) Pomba (Mt 3,16,17). Esta ave nos lembra brandura, doçura, amabilidade, inocência, suavidade, paz, pureza e paciência. Estas são algumas características da pomba e também daqueles que possui o Espírito Santo.
III
A sua Obra
A Obra do Espírito é uma disciplina muito abrangente, vai da criação a experiência humana. Apesar da importância de conhecermos o seu papel na formação e sustentação do universo, me deterei apresentando simplesmente como Ele age no e através do ser humano.
1- Na Regeneração (Jo 3,5-8; Jo 1,12,13). Nós somos salvos pela Graça de Deus (Ef 2,8),a qual possui vários meios: o sacrifício de Cristo, a Palavra de Deus e o Espírito Santo. Através do sacrifício somos purificados (I Jo 1,7), ouvindo a Palavra adquirimos fé (Rm 10,17) e o Espírito convence (Jo 16,8). Mas a verdade é que o Espírito Santo começa a trabalhar antes mesmo de o pecador ouvir a palavra. E depois continua agindo até o servo do Senhor partir desta vida.
a) O Espírito inspira e levanta pregadores (I Pe 1,12; Ef 2,8; Rm 10,17; I Co12,3; Rm 10,13-15). É no preparo dos pregadores que o Espírito age mesmo antes do pecador ouvir a Palavra. Inclusive, o pregador só terá a mensagem certa se falar pelo Espírito (I Co 12,3).
b) O Espírito convence (Jo 16,7-11). O nosso dever como mensageiros da salvação é simplesmente orar e pregar, o restante é de competência do ouvinte e do Espírito Santo.
c) O Espírito Santo transforma (II Co 3,18; Zc 4,16). Esta transformação depende também da aceitação da mensagem por parte do evangelizando, pois a graça de Deus pode ser resistida (Hb 3,13-15). Porém, não é “por força nem por violência” (Zc 4,16).
2- O Crente, Habitação do Espírito Santo (I Co 3,16; Ef2,21,22). No Antigo Testamento e ainda nos dias de Paulo, os Judeus idolatravam o Templo. Chegaram a considerar as ofertas ao templo superior a honrar pai e mãe (Ex 20,12; Mc 7,9-13). Ser comparado como “Templo de Deus” e “Tabernáculo de Deus”, é motivo mais que suficiente para agradecer e louvar a Deus pelo seu imenso amor. Mas, por quais finalidades o Espírito Santo habita no crente?
a) Habita para ensinar (Jo 14,26). Quem tem o Espírito Santo, tem um pregador dentro de si, ajudando a compreender as Escrituras e falando na consciência o que é certo e o que é errado.
b) Habita para glorificar o Pai e o Filho (Jo 16,14,15)
c) Habita para dar convicção ao crente (Rm 8,15-17). A certeza da salvação afirmada pelo crente é dada pelo próprio Deus. Se formos filhos, somos herdeiros. E a herança é a vida eterna.
d) Habita para ajudar o crente (Rm 8,26). Quem tem o Espírito nem precisa saber orar, basta saber se aproximar de Deus, mesmo não tendo palavras.
e) Habita para libertar o crente (Rm 8,1-4; Gl 5,16-17)
f) Habita para preparar o crente para a vinda de Cristo (Ef 4,30; Ap 22,17).
g) Habita para alegrar (Rm 14,17; At8, 8; At13,52; Lc2,10; At 2,46; Ef 5,18,19). Infelizmente, já existem cultos, onde não é permitido o crente expressar esta alegria. Em nome da decência e da ordem, o servo de Deus fica proibido de dar glória a Deus, e até de falar em línguas. Não podemos ser meninos, mas o excesso de formalidades sufoca o Espírito (I Tss5,19). Leia os textos a seguir e pense como eram os cultos nos dias dos Apóstolos: I Co 14,26; Ef 5,18-20; At 4,24-31; At 10,45-46.
3- O Fruto do Espírito Santo (Gl 5,22). Neste versículo, aprendemos que o “FRUTO DO ESPÍRITO SANTO”, possui nove características, sendo que o primeiro a ser mencionado é o “amor”. E todos estes caracteres estão associados a ele.
Na versão ARC (Almeida Revista e Corrigida), a primeira palavra da lista é “caridade”, que significa a prática do amor. Por mais que queiramos amar, não vamos conseguir simplesmente com os nossos próprios esforços. Apesar de ser nós mesmos quem decidimos a quem amar, somos incapazes de atingir a sua plenitude. Isto só será possível com uma vida cheia do Espírito Santo. Não podemos nos esquecer, é fruto do Espírito, e não dos nossos esforços.
A Segunda é “gozo”, que significa satisfação. Ser grato a Deus, e até aos nossos semelhantes, é um adjetivo que está ausente da vida de muita gente. A insatisfação leva as pessoas a não se contentarem com nada neste mundo. E a razão de tudo isso, é o fato de às vezes se deixarem levar pelo “consumismo”, desejando aquilo que alguém pôde comprar, enquanto não as puderam. E também, não se alimentar diariamente da Palavra de Deus, causa um vazio muito grande na alma, ficando espaços para muitas infelicidades. Bom é ser guiado pelo Espírito de Deus. Quem vive em seus domínios, está constantemente repleto de alegria.
Uma característica completa a outra. Gozo, alegria e satisfação, resultam em paz interiores. Quando interiormente vivo cheio de conflitos, isso reflete no exterior, ou seja, causarei inimizades com as pessoas que vivem ao meu redor. Enquanto que quando tenho um coração cheio de “paz”, “transmitirei paz”. Esta qualidade nos dada pelo Espírito Santo representa tranqüilidade, concórdia, sossego, cessação de hostilidades, silêncio, descanso de alma e pessoa inofensiva. Vale a pena estar perto de alguém agradável!
Com “longanimidade”, que pode ser chamada também de generosidade, firmeza de ânimo, bondade e resignação, é possível ser paciente. Quem é longânime tem coragem para resolver problemas, atravessar barreiras e vencer adversidades.
Ser guiados a fazer o bem? Quem tem a natureza de Deus operando em sua natureza, não simplesmente entende isso, como também aplica no seu cotidiano. Quem é cheio do Espírito Santo não pensa em fazer o bem, “é benigno”.
Ter boa índole. No texto, isso é chamado de “bondade”. E quem diz que este termo precisa ser definido? Quem ama é bom, sente compaixão, pensa nos direitos e no bem alheio. São atitudes que devem ser praticadas.
“Deus é fiel”. Frase que estamos constantemente lendo em adesivos e pára-choques de caminhões. É interessante saber sobre a fidelidade de Deus. Mas, e a nossa fidelidade com relação a Deus e ao próximo? A palavra “fé” que aparece no versículo significa “fidelidade”, o que deve fazer parte de nossa índole. A natureza de Deus operando em nossa (o Espírito Santo em nós), nos leva a uma vida, de maneira que todos possam depositar confiança.
“Aprendei de mim que sou manso e humilde”, disse Jesus. Mas no dia a dia de muitos “servos de Deus”, as palavras que ouvimos são: não vem que não tem! A minha resposta esta na ponta da língua! ( que língua heim!?) E o famoso “não levo desaforo para casa”? Mas o Espírito de Cristo é um Espírito de “mansidão”.
Quem ama, tem paz interior, é longânime, é benigno, tem boa índole, é fiel, possui mansidão e tem também controle de seus impulsos. “Temperança” é o termo usado na ARC, que significa domínio próprio. Fora disso é ser guiado pelo temperamento. E quando agimos assim, fazemos e falamos muitas coisas indesejáveis, trazendo muitos prejuízos para nossa vida emocional e social. A solução é “ser cheio do Espírito Santo”.
Para concluir este ponto, é bom informar que nos enchemos do Espírito Santo em pelo menos dois aspectos: se encher no sentido caráter Cristão e no sentido poder. No primeiro não é preciso receber o Batismo com o Espírito Santo, basta somente orar e meditar na Palavra de Deus. Neste caso, o crente se enche para dar bom testemunho através de seu caráter, enquanto que no segundo, o crente se enche para pregar um evangelho de poder. Aí sim, precisa ser batizado com o Espírito Santo. Mas infelizmente, nós os pentecostais, damos mais ênfase no ser cheio do poder, esquecendo que Dom Espiritual sem o Fruto do Espírito resulta em escândalos.
4- O Batismo com o Espírito Santo. Esta é uma doutrina que tem causado muitas polêmicas no meio evangélico. Há grupos que acreditam que o Batismo com o Espírito Santo é uma dádiva de Deus no momento da conversão, enquanto outros entendem que é um revestimento de poder para a evangelização, no qual só se recebe depois de estar em Cristo, ou quando aprouver Deus em conceder-lhes. Apesar das muitas dúvidas, acredito que a Bíblia o explica com muita clareza. Por isso com muita convicção, vou com citações das Escrituras, apresentar em forma sintética esta tão importante doutrina, respondendo as perguntas: O que é Batismo com o Espírito Santo? Qual a sua evidência? Qual a sua finalidade? E como recebê-lo?
Para entender o que é, primeiro precisamos saber o que não é. Entendemos pela Palavra de Deus que não é selo da promessa, como é ensinado por muitos, e até cantado em alguns hinários. O texto de Ef 1,13 deixa bem claro para nós, que este selo, se recebe no momento da conversão. Por isso não é batismo, mas sim distintivo, sinal e marca. Por este sinal sabemos que pertencemos a Deus, o qual deve permanecer até que Cristo volte (Ef 4,30). Também não é o sopro de Cristo (Jo 20, 20,22). Por este os discípulos receberam o Espírito Santo e autoridade eclesiástica (Jo 20,23), mas não o “Batismo com o Espírito Santo”. Jesus, no dia de sua ascensão, instruiu os seus discípulos a não se ausentarem de Jerusalém, a fim de receberem poder antes de quaisquer atividades evangelísticas (At 1,4-8). E neste dia os discípulos já haviam recebido o sopro.
É promessa de Deus (Jl 2,28,29; Mt 3,11; Lc 24,49; At 1,5). O derramamento do Espírito sobre toda a carne predito pelo profeta Joel, o Batismo com Espírito Santo e com Fogo anunciado por João Batista e o revestimento de poder prometido por Cristo, se cumpriu no dia de pentecostes (At 2,1-4). E continua se cumprindo na vida dos que o buscam (At 2, 39). É interessante notar que cada um destes personagens citados usou termos diferentes para o “Batismo com o Espírito Santo”.
Cremos que o Batismo com Espirito Santo evidenciado pelo “falar em línguas” é a Segunda bênção. Durante toda a história do cristianismo houve servos do Senhor agraciados por Deus com esta maravilhosa bênção. Mas infelizmente devido a era do obscurantismo (idade média), este entendimento ficou esquecido. Foi no século XIX que surgiram alguns pregadores como Dwight Lyman Moody, R. A. Torrey, A. B. Simpson, Andrew Murray, A. J. Gordon, F. B. Meyer e Charles Grandison Finney. Os quais começaram a pregar o “Batismo com Espírito Santo como a segunda bênção”.
Mas foi somente em “Topeka” (E.U.A), na famosa mansão de “Stone”, no ano de 1900, que foi resgatado a idéia de que a evidência é o falar em línguas. Charles Parham abriu neste local, um seminário denominado Escola Bíblica Betel, com aproximadamente 40 estudantes. Em uma de suas viagens, deixou como tarefa, pesquisar e apresentar um argumento irrefutável sobre a evidência do “Batismo com o Espírito Santo”. Quando regressou de sua viagem, lhe foi apresentado o resultado da pesquisa. À luz de vários textos de Atos dos Apóstolos como: Capítulo 2, 1-4; 10,44-47; 19,1-6; e até as passagens que não aparece explícito as línguas, entenderam que elas estiveram presentes (At 4,31). Depois da argumentação de seus alunos Parham começou a pregar que a evidencia do revestimento de poder é o “falar em Línguas”.
No dia primeiro de Janeiro de 1901, “a aluna Agnes Ozman, de 18 anos”, pediu para que Parham e os demais alunos impusessem as mãos sobre ela pedindo o Batismo com o Espírito Santo. “Eram 11 horas daquele dia quando Ozman se tornou a primeira pessoa, depois do período apostólico, a receber o Batismo no Espírito consciente de que as línguas eram sua evidencia”.
A finalidade deste batismo é acrescentar alegria ao crente (Rm 14,17), dar poder e dinamismo para evangelizar (At 1,8) e também serve como base para as manifestações registradas em I Co 12, 1-11. Assim como a falta do fruto do Espírito resulta em mau testemunho, não ser batizado com o Espírito leva a uma evangelização sem entusiasmo e sem sinais. E o evangelho que Jesus nos mandou pregar é o de Marcos 16,15-18 e Mt 10,8.
Por isso, receba-o. Para receber basta buscar com insistência (Lc 11,5-13), adorar e louvar (Sl 81,10). O Jesus que “batiza com Espírito Santo e com fogo” (Mt 3,11), está interessado em te dar esta graça.
5- Os dons. Outra doutrina que também é bastante polemizada é a doutrina dos dons espirituais. O reformador João Calvino (século XVI), dizia que os dons do Espírito Santo, só operavam no primeiro século (na era apostólica), e que depois do segundo século, não houve mais evidencia dessas manifestações. Atualmente ainda existem vários grupos cristãos que são adeptos do pensamento calvinista. Através da leitura de I Co 13, 8-10, dizem que tal autoridade espiritual só houve até o momento da escrita do Apocalipse, o ultimo livro da Bíblia. Mas uma exegese, fiel e verdadeira do texto, indica que a cessação das línguas e das profecias, acontecerá somente na ocasião da manifestação de Cristo, ou seja, na sua volta. Leia novamente este texto ( I Co 13,8-12), e descobrirá que ele esta falando da infalibilidade do amor, e não do fim do Dons de profecia e das línguas. E ainda, as frases: “Porque, em parte, conhecemos e em parte profetizamos”; e, “porque agora vemos por espelho em enigma”. O espelho daquele tempo, não refletia com precisão como o espelho de hoje. Isso fica muito claro para nós, que as profecias que ainda estão para se cumprir, só vão entendê-las perfeitamente quando chegarmos lá. E falando de dons espirituais, não mais precisaremos deles, somente depois que sairmos deste mundo. “Mas quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado”.
Convicto de que os dons são atuais, pretendo começar o nosso conciso comentário a partir das habilidades naturais, habilidades aperfeiçoadas pelo espírito Santo e manifestações sobrenaturais.
As habilidades naturais também podem serem atribuídas a “Dom de Deus”, Apesar delas existirem através da inteligência humana. Deus criou o homem dotado de inteligência, e esta, está presente na vida de todas as pessoas, independente de seu credo religioso. Segundo Howard Gardner, autor da “Teoria da Inteligência Múltipla”, há nove manifestações da inteligência: a “Lógico-Matemático”, que é o raciocínio das habilidades para resolver problemas e competência para desenvolver o pensamento científico na área da Química, Física, Matemática e disciplinas paralelas; a “Corporal-Cinestésica”, que se refere a habilidade em usar o corpo físico, ou autocontrole corporal, a qual vemos nos atletas dançarinos e coreógrafos; a “Musical”, habilidade para organizar sons, compor músicas e dominar timbres; a “Lingüística”, habilidade para escrever e falar de maneira a atingir os seus objetivos; a “Espacial”, é uma inteligência que aguça a capacidade de formar um modelo mental e transformá-lo em real, a qual é observada nos engenheiros, cirurgiões plásticos e outros; a “Intrapessoal”, é a habilidade do autoconhecimento, ou seja, característica de pessoas consideradas bem resolvidas; a “Interpessoal”, é a capacidade de Ter bom relacionamento com as pessoas e resolver conflitos entre elas, as quais vemos nos terapeutas, professores, humoristas, líderes e políticos; a “Naturalista, Ecológica ou Biológica”, é a habilidade de identificar padrões da vida vegetal, a qual vemos nos Índios, nas pessoas que trabalham no campo e nos botânicos; e a “Pictórica ou Pictográfica”, a habilidade da pintura e do desenho. O desenvolvimento de todos estes focos de inteligência é cognitivo, ou seja, depende de treino e aprendizado.
As habilidades aperfeiçoadas pelo Espírito Santo podemos chamá-las de dons espirituais, as quais são geradas da inteligência, da fé e do amor. E todos estes dons servem para o perfeito funcionamento da igreja, o corpo de Cristo (I Co 12, 12-31). Neste parágrafo mencionarei somente os que podem ser aperfeiçoados, os que são manifestação direta deixarei para os posteriores. Vamos começar com a listagem de Aos Romanos 12, 6-8. Nesta, alguns estão na relação dos dons ministeriais de Ef 4,11, por isso também não comentarei agora, os quais são: profecia, ensinar e presidir. Dos setes desta relação devo começar pelo “ministério”. Não se trata somente da ministrarão da Palavra de Deus, mas também em ministrar uma cura divina, um milagre, etc. “Exortação”, ou seja, “fazer lembrar o que já sabe”. Trata-se da capacidade de animar os desanimados, corrigir os errados levando-os ao arrependimento, e acima de tudo, fortalecer os corações. “O que reparte faça-o com liberalidade”. É um Dom gerado pelo amor e aperfeiçoado pelo Espírito. Não se trata simplesmente de pessoas que trabalham na campanha do quilo, mas de alguém que a faz independente da iniciativa da igreja, são indivíduos que estão constantemente olhando para as necessidades dos outros. O “exercitar misericórdia” se confunde com o de repartir, o qual também é gerado pelo amor.
Em I Co 12,28, encontramos outra listagem com oito dons. Quatro estão na relação dos “dons ministeriais”: “Apostolo”, “Profetas”, “Doutores” e “Governos”. Três estão na relação da manifestação direta: “Milagres”, “Dons de Curar” e “Variedade de Línguas”. E o de “Socorros” pode ser associado ao dom de repartir e o de exercer misericórdia. Não podemos nos esquecer que uma pessoa pode ser usada por Deus em mais de um Dom.
Sobre dons ministeriais, entendemos que são para aqueles que têm uma chamada específica para a Obra de Deus. São gerados da inteligência e da fé, mas aperfeiçoados pelo Espírito Santo. Em Efésios 4,11, aparece uma listagem de cinco dons, os quais não se referem a nenhuma hierarquia, até porque as igrejas eram independentes e o conceito de liderança era linear e não pirâmide. O primeiro título que aparece no texto é “Apóstolos”, que significa: “Enviar alguém em missão especial como mensageiro e representante pessoal de quem o envia”. Este título foi dado para Cristo (Hb3,1), os doze ( Mt 10,2,3), o Apóstolo Paulo ( Rm 1,1; II Co 1,1; Gl 1,1) e outros (At 14,4,14; Rm 16,7; Gl 1,19; 2,8,9). Através destes textos e também At 13, 1-4, entendemos que a missão de um apóstolo é ser pioneiro. Num sentido mais abrangente este título pode ser atribuído também aos missionários da atualidade, aqueles que implantam igrejas em locais que ainda não tem. Já num sentido mais restrito, e principalmente no fundamento doutrinário, este ministério encerrou junto com cânon sagrado. O segundo é “Profetas”. O ministério profético no Novo Testamento pode ser entendido a luz do Antigo Testamento. Enquanto os sacerdotes tinham a missão de levar do homem a Deus, os profetas eram os responsáveis de trazer de Deus aos homens, ou seja, os sacerdotes sacrificavam pelos homens e os profetas transmitiam a mensagem de Deus. E estas mensagens eram transmitidas para algumas finalidades: encorajar, corrigir e predizer o futuro. É interessante também notar que eles fizeram milagres. Os pregadores do novo concerto com ministério profético, além de Ter o Dom de profecia, suas mensagens são voltadas à correção, exortação, edificação da igreja e até anunciam as coisas que hão de acontecer. Tanto às anunciam pela interpretação da Bíblia, como pela manifestação direta do Espírito Santo, o “Dom de profecia”. Porém, infalível é só a Palavra de Deus, as profecias devem ser julgadas (I Co 14,29). O terceiro é o de “Evangelista”. Filipe, apesar de ter sido separado a Diácono (At 61-5), foi um grande evangelista. Era Diácono pela imposição de mãos dos Apóstolos, mas na prática era evangelista. Seu ministério deixa muito claro a função. Em Atos 8,5-8, ele evangeliza Samaria, acompanhado de sinais, prodígios e maravilhas. Neste exemplo o vemos pregando para multidões, já nos versos 26-40, somente para o eunuco da Etiópia. Ainda hoje há grandes pregadores tão abençoados quanto Filipe. O quarto é o Dom de “Pastor”, o Dom de ser supervisor e de apascentar. Em Rm 12,8 é o que preside e em I Co12, 28, de Governo. Liderar é uma das inteligências, segundo Gardner, mas neste caso ela é desenvolvida pelo Espírito Santo e não simplesmente pelo estudo. Um líder cheio do Espírito Santo tem capacidade de liderar com amor, ou seja, apascentar. O quinto, de “Doutores ou Mestres”. O Mestre segundo Donald C. Stamps: “são aqueles que têm de Deus um Dom especial para esclarecer, expor e proclamar a Palavra de Deus, a fim de edificar o corpo de Cristo”. São aqueles servos de Deus que atuam na área do ensino.
Agora que acabamos de ver os dons que podem ser desenvolvidos, vamos para os que não podem. Apesar de serem dons, e não podermos ficar sem entendimento acerca deles (I Co12, 1), prefiro chamá-los de “manifestação do Espírito” (I Co 12,7). Assim fica bem claro que não é algo que se desenvolve, mas que se manifesta. Do verso 8 ao verso 11 é nos apresentado nove manifestações: palavra da sabedoria, palavra da ciência, a fé, dons de curar, operação de maravilhas, profecia, Dom de discernir espíritos, variedade de línguas e interpretações das línguas. Para fins de esclarecimento vou agrupá-los em três: dons de revelação, dons de poder e dons verbais. Os dons de revelação são: palavra da sabedoria, palavra da ciência e dons para discernir os espíritos. Os de poder: fé, dons de curar e operação de maravilhas. E os verbais: variedade de línguas, profecia e interpretação das línguas.
· Dons de revelação. O primeiro é a “Palavra da Sabedoria”, o qual não se refere àquela que se adquire, mas sim, manifestação especial do Espírito Santo para um momento específico e também para resolução de problemas momentâneos. Exemplos: At 6,10; 15,13-22; I Reis 3,16-28. O segundo é a “Palavra da Ciência”, ou do conhecimento. Trata-se do Dom de saber o que está oculto. Pela “manifestação do Espírito”, pode ser revelado aquilo que naturalmente é impossível de saber. Exemplos: At 5,1-10; Jo 1,47-50. “Freqüentemente este dom pode ser associado com o Dom de profecia” (I Co 14,24,25). E o Terceiro é o “Dom para discernir os espíritos”. Observem que o substantivo “espíritos” está no plural, significando que pelo Espírito podemos discernir se alguns procedimentos são do Espírito santo, de demônios ou do espírito humano. Exemplo: Meu pai estava em um culto pentecostal, quando uma jovem começou a cantar em línguas, enquanto todos estavam achando muito lindo, um dos pastores que estavam na tribuna desceu e impôs as mãos sobre ela e a língua cessou. Então o pastor voltou a tribuna pegou o microfone e perguntou: Vocês sabem o que esta moça estava cantando? – Não... Respondeu a platéia. – Ela estava cantando: Atirei o pau no gatoto!... Então o povo ficou meditando: por qual espírito esta moça estava cantando?... Como necessitamos desta “manifestação do Espírito” em nossos dias!
· Dons de poder. O Espírito Santo através destes faz sinais extraordinários. Sobrenaturalmente muitos enfermos são curados. Inclusive já vi muita gente liberta de enfermidades. “Os dons de curar” visam à restauração da saúde, e não a fama. O segundo é o “Dom da fé”. Esta não é a fé para a salvação (Ef 2,8; Rm 10,17), mas uma fé sobrenatural. Não é dada pela meditação na Palavra, mas pela manifestação do Espírito. Esta fé é àquela que remove montanhas (Mc11, 22-24; I Co 13,2), por isso ela se manifesta na ocasião de um milagre e esta sempre associada a outros dons, como os de curar e operar maravilhas. O terceiro é o de “operar maravilhas”. “Trata-se de atos sobrenaturais de poder, que intervêm nas leis da natureza”. Exemplos: Ex 14,21,22; Jo 11,39-44.
· Os dons verbais. Podem também serem chamados de Dons de elocução. O primeiro é a “variedade de línguas” ( Glossolalia). Por esta manifestação sobrenatural o crente pode falar as línguas dos homens (At 2,1-13) e as línguas desconhecidas (I Co13, 1; 14,2). Quando interpretadas, tornam-se profecias (I Co 14,5); está também na lista de sinais que devem seguir a pregação do evangelho (Mc 16,15-18; I Co 14,22); é a evidência do batismo com o Espírito Santo (At 19,1-6; At 2,1-4); e serve para a edificação de quem fala (I Co 14,3). O segundo é o de “profetizar”. Segundo Donald Stamps: “trate-se de um Dom que capacita o crente a transmitir uma palavra ou revelação diretamente de Deus, sob o impulso do Espírito Santo” (I Co 14,24,25,29-31). O terceiro é o “Dom de interpretar as línguas”. É a manifestação que faz entendê-las e transmiti-las. Às vezes, Deus transmite um ensino em línguas para a igreja, e através da interpretação torna possível a assimilação. Deus pode tanto exortar, como consolar e até profetizar por meio deste Dom.
6- O regulamento dos dons. É impossível falar sobre como usar os dons sem antes conhecer o seu propósito. Falar em línguas, profetizar ou usar os dons indevidamente, ou seja, fora de suas finalidades, constitui-se meninice (I Co 14,20).
No capítulo doze de Primeira aos Coríntios, Paulo relacionou os dons, mostrando o seu significado para o corpo de Cristo, a igreja. E nesta exposição, o Apóstolo nos deixou confortados, explicando que todos os dons são importantes em suas diferentes funções: “E, se a orelha disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?” (I Co 12,16,17) . Cada crente com suas habilidades e dons é um instrumento de Deus para a edificação da igreja.
Mas para entender perfeitamente a finalidade dos dons, é preciso ler o verso 31 deste capítulo: “Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente”. E este “caminho excelente”, é nos apresentado no capítulo treze. Dons espirituais sem amor é “como o metal que soa ou como o sino que tine”, ou seja, só faz barulho (I Co 13,1,2). Vale mais do que o Dom de repartir (I Co 13,3). Isso porque a pessoa pode repartir visando sua própria glória. O amor é mais excelente, porque não está limitado somente a esta vida, mas também a vindoura. Já os dons, são somente enquanto vivermos neste mundo (I Co13, 8-12). Os dons espirituais podem ser imitados por demônios (Por isso que é necessário o dom para discernir os espíritos), mas o amor nunca falho (verso 8). Porém, não podemos nos aproveitar do comentário bíblico sobre a soberania do amor, com relação aos dons espirituais, para deixarmos de buscá-los. Neste capítulo ele está acima da fé e da esperança (verso 13), nem por isso vamos deixar de Ter fé e esperar a vinda de Cristo (Hb11, 6; Ap 22,20). “Segui o amor e procurai com zelo os dons espirituais” (I Co 14,1). Mas, se eles forem operados sem amor, não servirá para a edificação da igreja, se não para a elevação do próprio ego, o qual se constitui vaidade espiritual.
De todos os dons estudados, somente o de variedade de línguas e o de profecias, podem se tornar meninice. Se em todas as nossas reuniões só falarmos em línguas não teremos culto racional (Rm 12,1); somente os que estiverem falando serão edificados (I Co 14,4); e não haverá espaço para o entendimento da Palavra de Deus (I Co 14, 6,9). Não falo em línguas quando quero, mas se eu não quiser, não falo (I Co 14, 32). E ainda, a manifestação do Espírito Santo não é possessão, somos conscientes de que estamos falando em línguas e por isso podemos controlá-las. As línguas servirão para edificação da Igreja somente se forem interpretadas (I Co 14,5).E se todos falarem de uma só vez? Como ouvir a interpretação? (I Co 14, 27,28). E se o Pastor marcar um culto para os crentes falarem em línguas a vontade? Tá certo isso? Geralmente em cultos de oração ou vigílias, prefiro deixar os crentes falarem em línguas a vontade, é em ambientes como estes que muitos são batizados com o Espírito Santo (At 2,1-4; 4,31; 10, 44-47; 19, 1-6). Até em cultos públicos, às vezes, não é escândalo muitos falarem em línguas ao mesmo tempo (At 10,44-47; I Co 14,22). Porém, elas não podem tomar o espaço da exposição da Palavra de Deus. As línguas só serão meninice quando substituírem a pregação, no contrário elas edificam (I Co 14,4,5); nos da o privilégio de falarmos com Deus sem que ninguém mais entenda (I Co 14,2; Rm 8,26); tem que ser um dos componentes do nosso culto (I Co 14,26); e para concluir: “e não proibais falar línguas” (I Co 14,39).
Apesar da exposição da Palavra de Deus ser a maior profecia, não podemos desprezar àquelas que são pela manifestação do Espírito Santo (I Tss 5,20). A Igreja de Corinto e a de Tessalônica revelam dois extremos. Enquanto a de Corinto exagerava, a ponto de Paulo escrever, regulamentando os dons de profecias e línguas, os de Tessalônica as desprezavam ( I Tss 5,19,20; I Co 14,27-33). Imagine a bagunça e meninice da igreja de Corinto, e o formalismo dos de Tessalônica! Atualmente também vivemos os dois extremos. Devido às falsas profecias, muitos não crêem nelas e nem nos demais dons. Enquanto outros exageram a ponto de querer “cair no poder”: correm, pulam, dançam, plantam bananeira e enfim, caem no “reteté”. Não que seja errado pular. Davi fazia isso também (II Sm 6,14-16). Não quero estabelecer regrinhas para a adoração, mas que vantagem há em correr para lá e para cá sem pronunciar se quer uma pala de louvor e gratidão a Deus? Eu prefiro adorar pronunciando palavras de louvor como: glória Deus, aleluia e até falar em línguas. Voltando à questão da profecia, se souberem que na esquina tem alguém revelando ou profetizando, com certeza, estarão presentes. Lembrando ainda, dos profetas que profetizam por intuição, para mostrar “super espiritualidade” e com fins financeiros.
O ponto de equilíbrio está em crer nas profecias, mas também julgá-las (I Co 14,29). Mas para julgá-las é preciso antes conhecer suas finalidades. Se não for para a edificação da igreja, ou seja, para o crescimento espiritual, para exortar, consolar o povo de Deus (I Co 14,3) e avisar sobre algo que vai acontecer (At 12, 26-28; 21,4 8-11) deverão ser rejeitadas. Ainda podemos perceber se é de Deus pelo seu cumprimento (Dt 18,20-22) e pela vida do profeta (Mt 7, 15-18). Porem não podemos nos esquecer que mesmo uma pessoa de Deus pode falar simplesmente pela emoção. No capítulo sete do segundo livro de Samuel, Davi desejou construir um templo ao Senhor e comunicou isso ao Profeta Natã. Emocionado com a iniciativa de Rei, o Profeta disse que Deus estaria com ele naquele grande empreendimento. Mas a noite Deus falou com Natã: “Vai, e fala ao meu servo Davi: Assim diz o Senhor: Edificar-me-ias tu casa para mim?” Agora, imagine Natã Ter que voltar a falar com o Rei, dizendo que quem deveria construir o templo era a sua descendência, porque ele era homem sanguinário? Aí está um exemplo de alguém que profetizou pela emoção, mas depois pelo Espírito Santo.
Gente, precisamos do Dom de profecia. Para a igreja, foi por Paulo considerado o maior Dom (I Co 14,5), o Dom capaz de revelar os segredos do coração (I Co 14,25). Um exemplo desses aconteceu comigo: No dia 29/07/1994 eu estava em uma festa de Circulo de Oração e Mocidade na Igreja Assembléia de Deus em Paiçandú PR, era uma tarde missionária. Estava criticando o pregador, quando uma das cantoras do evento levantou profetizando e dizendo: “você murmura de tudo e de todos”. Àquelas palavras entrou como flechas no meu coração e comecei a falar com Deus: Senhor tenha misericórdia de mim! Sou pecador e vivo fazendo criticas imbecis de muitos crentes e pregadores! Perdoe-me Senhor!... Naquele instante, eu que nunca havia falado em línguas, falei pela primeira vez. Que alegria senti naquele momento!... Hoje fico pensando: como Deus é maravilhoso! Eu que antes, às vezes sentia alegria na minha alma pela salvação, passei a Ter uma alegria maior.
IV
Pecados Contra o Espírito Santo
É muito lindo, não só saber, como também ser receptível ao que o Espírito Santo faz em nós. Porém, conhecer o que fazemos contra Ele é fundamental. Cometemos muitos pecados contra o Espírito Santo: os que são perdoáveis e o imperdoável.
Entristecê-lo, é possível através de algumas práticas. Em Ef 4,30 está a sentença: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção”. E no contexto estão registradas algumas práticas que o entristece: leia com muita atenção do capítulo 4,17 ao 5,21. Porém, todos estes pecados poderão ser purificados pelo Sangue de Cristo, ou seja, pelo sacrifício do Calvário, mediante o arrependimento e a confissão (I Jo 1,5-2,1).
O pecado imperdoável é a blasfêmia (Mt 12,31,32; Hb 10,29). Segundo Orlando Boyer, blasfêmia significa: “ultraje, insulto e ofensa”. “Pronunciar palavras propositadamente contra o Espírito Santo é não Ter oportunidade para se arrepender”. A razão de não haver perdão para quem comete este pecado é o fato do Espírito Santo não Ter espaço para operar o arrependimento no indivíduo. É Ele que convence ao arrependimento (Jo 16, 8-11). E Deus só pode perdoar se o pecador se arrepender. Por isso quando uma pessoa fica preocupada pensando que cometeu o terrível pecado, é porque ainda não cometeu. Quem blasfema contra o Espírito, se torna incrédula ao extremo.
Se Ele é o nosso distintivo (Ef 4,30), devemos viver de modo a não entristecê-lo, e muito menos ensultá-lo, mas sim, guiados por Ele. Quando andamos assim, seremos santificados.
Conclusão
Os pentecostais somos acusados de dar mais ênfase a experiência a doutrina. E ainda dizem que não tem grandes teólogos em nosso meio. Assim como é verdade que damos muita ênfase a experiência, não é verdade que não temos grandes Teólogos. Há pessoas muito renomadas na teologia que são पेंतेकोस्तैस। Por quê preocupar tanto com questões teóricas, se a Salvação e a vida cristã é prática?
O Espírito Santo é uma pessoa com seus atributos e natureza, é a terceira pessoa da trindade e leva as pessoas a Ter comunhão com Deus. Mas o que adianta saber tudo isto e viver longe de Deus? Com ele podemos estar constantemente em sintonia com Deus.
E a pregação do Evangelho? Maiores resultados terão àqueles que pregarem subordinados a Ele. Era assim que Pedro, Paulo e os apóstolos pregavam (Atos capítulo 2; 3;4; I Co 2,1-4; I Tss 1,5).
Pregar demonstrando o poder do Espírito Santo, é possível sem os dons espirituais, e principalmente as manifestações diretas? ... Tornar-se dispensacionalista, ou seja, crer que os dons só existiram no primeiro século, é uma grande desculpa para justificar a frieza espiritual.
Um dos símbolos do Espírito Santo é o fogo, o qual só pode manter aceso se houver oxigênio, a oração. Quem vive plenamente em oração, dará espaço para que o Espírito opere, em seus mais variados dons. Por isso, busque a Deus. Inclusive pedindo dons Espirituais (I Co 12,31; 14,1). E não peça somente um Dom, a Bíblia fala para buscarmos dons.
Espero que o meu amado leitor tenha se enchido do Espírito Santo através da leitura destas linhas
BIBLIOGRFIA
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STAMPS, DONALD C.: Bíblia de Estudo Pentecostal; CEPAD; Edição de 1995
BOYER, ORLANDO S.: Pequena enciclopédia Bíblica; Editora Vida; São Paulo, SP; impressão de 1994
BUENO, SILVEIRA: Dicionário da Língua Portuguesa
MAIA, RAUL: Guia Didático e Profissional; DCL; São Paulo, SP; Edição de 2005
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A TRINDADE: IBADEP (Instituto Bíblico das Assembléias de Deus no Estado do Paraná)
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ARTIGOS DIVERSOS: http://www.geocites.com/
SANTOS, ALÉCIO CARDOSO: Apontamentos e conclusões bibliográficas; São Paulo, SP; 10/06/2007.
MENSAGEIRO DA PAZ: Ano, 76; Número 1.450; Março de 2006: Página 21
Um comentário:
concordo que temos grandes teologos mesmo !pastor e o senhor é um deles tenho ainda o modelo de reuniao que o senhor criou em tancredo!!! que Deus te use casda vez mais pra escrever sobre as necessidades da vida cristã!!!
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