Este é um tema que durante a história vem sendo debatido entre protestantes e católicos. Enquanto o primeiro afirma que o fundamento da igreja é Cristo, conforme ensinado pelos apóstolos, o segundo afirma que a igreja tem seu fundamento no Apóstolo São Pedro, citando alguns textos da Bíblia, a tradição e a lista de sucessão apostólica.
A igreja católica, citando Mt 16, 18, a tradição e a lista de sucessão apostólica, afirma que Pedro é a pedra fundamental da igreja. Quanto a sede ser em Roma e não em Jerusalém, citam a história e a tradição, dizendo ser ele o primeiro Bispo de Roma. No penúltimo versículo de sua primeira Epístola, a “co-eleita Babilônia”, segundo alguns estudiosos, é um nome espiritual dado a cidade de Roma. Eusébio (263-340 d.C.), em sua História Eclesiástica, apresenta uma lista de sucessão apostólica do bispado de Roma, colocando Pedro como seu primeiro Bispo. A seqüência dos Bispos no primeiro século segundo Eusébio está assim: Pedro; Lino, segundo alguns é o citado pelo apóstolo Paulo na segunda Epístola a Timóteo (IITm 4, 21); Anencleto; e Clemente, que também foi citado pelo Apóstolo São Paulo (Fl 4, 2). É com este embasamento que o catolicismo, vem durante a história, querendo fazer a humanidade pensar que a salvação é pelos sacramentos ministrados pela igreja, conseguindo assim dominar a mente e a fé das pessoas.
Disse anteriormente que nos dias do apóstolo São Paulo havia dois níveis para o ministério. Durante os séculos isso foi intensificando. Inácio, pai pós-apostólico (50-115 d. C.), estabeleceu três níveis para o ministério. Enquanto que nos dias de Paulo os cargos de bispo, presbítero e ancião, eram só questão de nomes, mas o nível e a função era a mesma, Inácio colocou o cargo de Bispo acima do de presbítero ou ancião ficando: Bispo, aquele supervisiona presbíteros de uma região; presbíteros, os que supervisionam igrejas; e diáconos, os serviçais. Cipriano, o pai do episcopado (200-258 d. C.), atribuiu a sede todos os bispados, a sé de Pedro, que segundo ele era Roma, lançando assim a semente do papado.
Depois do decreto de Milão no ano 313, por Constantino, imperador romano, os cristãos tiveram liberdade e os seus bispos começaram a gozar de grande prestígio no império. Na transferência da capital para Constantinopla, o bispo de Roma passou a ser respeitado como governo temporal também, devido a ausência do Imperador. Neste período o clero já possuía oito níveis: Leitor, alguém que se preparava para o clero; acólito, ajudante; Subdiácono, até os trinta anos de idade; Diácono, por cinco anos; Sacerdote, dez anos; podia ser Bispo aos 45 anos; Arcebispo ou Metropolitano; e o cargo de Patriarca, que neste tempo só tinha cinco, estes governavam as sés provinciais: Roma, Alexandria, Antioquia, Jerusalém e Constantinopla.
Dâmaso, bispo de Roma, do ano 366-384, disse que os demais bispos eram filhos. Contestou o imperador Teodoro, que colocava o patriarca de Constantinopla em segunda posição. Dâmaso disse que sua primazia vinha da sucessão petrina, e não pela localização geográfica. O sucessor de Dâmaso estendeu um pouco mais o poder pelo uso de decretais, cartas semelhantes em autoridade as do imperador. Mas o primeiro a exercer a teoria papal na prática foi Leão I (440-461). Ele exerceu o poder espiritual e temporal. No concílio de Calcedônia (451), seu tomo sobre a natureza divina e humana de Cristo prevaleceu. Na invasão dos hunos, no ano 452, intercedeu ao rei Átila e eles não destruíram a cidade. Em 455 fez o mesmo com relação aos vândalos. Isso fez que seu poder se tornasse político e espiritual.
Pela habilidade para conciliar superstição, doutrina bíblica, filosofia e opinião popular, o título de primeiro papa passa a ser disputado com Gregório I (540-604). Alguns historiadores dizem ser Gregório, o grande, o primeiro papa, outros dizem ser Leão I. Na gestão de Gregório I, foi intensificado o poder do bispo de Roma, a adoração aos santos e a virgem Maria. Foram introduzidas também, vestes sacerdotais especiais e reafirmado o cânon da missa. Além disso, sua habilidade de administrador aumentou o tesouro da igreja romana. Seu pontificado, segundo alguns historiadores, marcou o início da idade das trevas, que vai até o renascimento e a reforma protestante.
Conhecendo como se desenvolveu o cargo papal, fica impossível aceitar que Pedro foi o primeiro papa, até porque no seu tempo não existia clero, existia somente os anciãos que supervisionavam e ensinavam a igreja. O próprio Pedro disse que era presbítero (I Pe 5 ,1). Quando Jesus disse: “ sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mt 16, 18), segundo entendidos da língua original do Novo Testamento, o Grego, Jesus estava se referindo a declaração de Pedro (verso 16), e não a pessoa. Em sua primeira epístola, Pedro disse que “Jesus é a pedra que os edificadores rejeitaram” (I Pe 2, 7). O apóstolo Paulo disse que “ninguém pode pôr outro fundamento além do que está posto, o qual é Jesus Cristo” (I Co 3, 11). Ao Sinédrio, em Jerusalém, Pedro disse que Cristo é a “pedra” e que só ele é salvador (At 4, 11, 12). O dogma da infalibilidade papal é desmascarado na repreensão que Paulo fez a Pedro (Gl 2, 11, 12). Pedro era humilde, não aceitava veneração (At 10, 25, 26). O concílio de Jerusalém foi presidido por Tiago e não Pedro (At 15), isto é visto pela sua conclusão e afirmação.
Não negamos que Pedro fora o primeiro líder Cristão. Liderou a reunião que escolheu Matias para ser o substituto de Judas Iscariotes (At 1, 15- 26). O primeiro a transmitir a mensagem cristã aos Judeus ( no dia de pentecostes, At 2). Aos gentios, na casa de Cornélio (At 10). Na lista dos doze, apresentada pelo evangelista Mateus (Mt 10, 1-4), Simão, chamado Pedro, é o primeiro. Mas vendo a pompa do papa, querendo parecer Deus e analisando a humildade de Pedro, mesmo uma pessoa que não tem conhecimentos bíblicos e teológicos, diria que jamais, Pedro aceitaria tamanha glória que o papa reivindica para si. Portanto, cada um deve estar firmado em Cristo, o verdadeiro fundamento da igreja.
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